Rorion Gracie: ‘Eu não assisto mais ao Ultimate Fighting’

porgraciediet arquivado em News
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RIO – Filho mais velho de Hélio Gracie, Rorion Gracie, aos 60 anos e morando na Califórnia, nos EUA, está no Brasil para divulgar o lançamento de seu livro “A Dieta Gracie”, em que planeja uma revolução mundial através da alimentação. Criador do UFC, ele conta como nasceu o evento que virou febre mundial e critica moldes atuais das lutas
Qual é a sua primeira lembrança do jiu-jítsu?
Estava num auditório e me lembro do meu pai lá em cima, de quimono branco e falando para a audiência. Minha mãe disse: “Vai lá com o papai, vai”. Eu fui andando pelo corredor e me lembro de que era tão pequeno que o encosto das cadeiras era mais alto do que eu. Eu andei até o palco, o papai fez uma pequena demonstração comigo e o pessoal gostou.
É sua primeira memória da vida?
Sim, é a primeira memória que eu tenho. Não me lembro de nada antes disso e nunca vivi sem o jiu-jítsu. Em algumas épocas treinava mais e em outras menos, mas sempre estive envolvido. Meu pai sempre encorajava os filhos a ficarem naquela brincadeira de esgrima um com o outro. A ideia dele era preparar um exercitozinho, treinar um time de pessoas que pudesse continuar o trabalho iniciado por ele e pelos irmãos.
Isso aconteceu quando você foi morar nos Estados Unidos, em 1978. Lá, enfrentou representantes de outras artes marciais para mostrar a superioridade do jiu-jítsu. Como foi esse início?
Uma vez, assim que cheguei lá, entrei numa academia de taekwondo. Eu ainda não tinha academia, nem tinha começado a dar aulas na minha garagem. Entrei na academia e o professor estava dando aula para 30 alunos. Era o tal Hee Il Cho, conhecidíssimo nos Estados Unidos, capa de revista, medalha, troféu… Entrei com um amigo meu, e ele estava dando aula, interrompi e falei: “Meu amigo, eu sou do Brasil. Será que você não tem interesse que eu dê umas aulas enquanto você não estiver ensinando? Eu posso dar aulas de jiu-jítsu, fazer um movimento e dividir contigo o dinheiro”. Ele falou que não precisava. Perguntei se ele sabia o que era jiu-jítsu. Falei que numa luta de verdade ele ia acabar no chão e o jiu-jítsu ajudava. “Ninguém me leva para o chão”, ele disse.
Você se enfrentaram?
Eu perguntei se ele queria experimentar, que o taekwondo dele é bom, mas não tão bom quanto ele imagina. Fui mudar de roupa, botei o quimono, voltei e fiquei parado no meio do ringue. Ele veio e deu um chute de longe que passou perto de mim. Depois, quando deu um passo adiante para que o próximo chute pegasse em cheio, também dei um passo à frente. Aí ficou muito curto para ele, levei o cara para o chão e montei. Ele começou a espernear, botei a mão no pescoço dele e comecei a falar com os alunos: ‘‘Está vendo, pessoal, se o cara não sabe sair de baixo ele vai se atrapalhar aqui”. Os alunos correram e me arrancaram fora.
E depois?
O mestre pediu outra chance… pensam sempre que é azar. Ele se arrumou, montei de novo, e um assistente foi na direção de uma barra de peso. Não sei se ele ia pegar a barra ou não, mas quando ele passou do meu lado, o derrubei também. Aí o tempo fechou, foi a maior confusão. Quando fui mudar de roupa, os alunos vieram me perguntar o que era aquilo. Eu falei: “Gracie Jiu-Jitsu”. Eles disseram que não conheciam, e eu disse que eles ainda iam ouvir falar muito disso.
Esse é o embrião do UFC?
Eu dizia que o jiu-jítsu era melhor e o outro dizia que era a arte marcial dele. Como é luta, uma hora você acaba brigando para ver quem é o melhor. Foi assim que nasceu o Ultimate Fighting. Eu comecei a fazer isso tantas vezes, com karatê, kung-fu, taekwondo, judô, luta livre, boxe, todo mundo. Os caras vinham, eu ganhava de todo mundo e, como não dava porrada em ninguém e respeitava todos, eles viravam meus alunos.
Você nunca levou um soco?
Nunca. E nem podia, sou magrinho.
Você nunca pensou em conhecer as outras artes marciais?
Para quê? Como estudo? Eu não preciso, acho o jiu-jítsu melhor.
Mas e o UFC, que nasceu em 1993, como foi colocado em prática?
Um dia caiu a ficha e pensei: por que a gente não faz um evento e coloca todas as artes marciais na mesma noite e o povo assiste na televisão? Me juntei ao (empresário) Art Davie, amigo meu. Chegou também o (cineasta) John Milius, outro amigo, que tinha feito “Connan, o Bárbaro”, e o nomeei diretor criativo. Era uma espécie de marketing.
Foi com John Milius que nasceu o formato do octógono?
Eu já sabia que não queria um ringue de boxe. O cara começa a apanhar e tenta fugir entre as cordas. Então, tinha que ser uma tela ou um muro para não fugir. A gente pensou num tanque de jacaré, mas um empurra o outro e o jacaré come o cara. Pensamos em tubarão também, eram ideias hollywoodianas, tinha que exagerar. Pensamos em acrílico, mas não ia dar certo com as luzes refletidas. Chegamos à conclusão que seria uma tela, que dá a impressão de que é uma jaula. A razão para não ter um ângulo reto é porque, se o lutador caísse preso num canto, ele seria prejudicado. Ao deixar mais aberto, não fica preso, tem como escorregar, dá mobilidade. E foi um sucesso, hoje é o esporte que mais cresce no mundo.
Por que você escolheu Royce Gracie para lutar no UFC 1, se Rickson Gracie era mais alto e forte?
A escolha foi 100% minha. Achei que seria um bom exemplo mostrar que o magrinho podia ganhar do grande.
Por que você saiu do UFC e vendeu sua parte no negócio?
Quando o Royce lutou com o Dan Severn, no Ultimate 4 (em 1994), a gente tinha duas horas para transmissão de pay-per-view. A luta ao vivo durou duas horas e três minutos. Ou seja, a transmissão foi interrompida sem o pessoal ver o final da luta. Foi a maior confusão. A gente teve que passar a luta de novo e de graça, teve que reembolsar muita gente e perdeu muito dinheiro. Meus sócios falaram que teríamos que botar limite de tempo. Mas eu disse que se botasse tempo de luta afetaria a psicologia da luta e do lutador.
Qual é a diferença?
Se eu disser que tem um round de cinco minutos, ele se prepara para cinco minutos. Ele apanha, apanha, apanha, mas sabe que vai acabar. Sem tempo, muda tudo, é matar ou morrer. Hoje em dia, o cara pega numa chave de braço, mas toca a buzina e ele tem que soltar. Eu não assisto mais ao Ultimate Fighting por causa disso. É um show que está crescendo enormemente, é um espetáculo, mas na minha época era uma briga de verdade. Hoje não é. Ele perdeu o objetivo inicial que era comparar os estilos de luta.
E a qualidade e a técnica dos lutadores de hoje?
São atletas excepcionais. Cada um é especialista em sua área. O que eu queria aconteceu. O mundo inteiro se conscientizou da importância do jiu-jítsu brasileiro. Hoje quem quiser subir num octógono e não souber jiu-jítsu nem entra. Adoro saber que eu sou o pai da criança… só que (o UFC)enveredou para um lado que não mais atende à minha visão inicial.
O UFC vale mais de US$ 1 bilhão atualmente. Você não lamenta as perdas financeiras?
Se ficasse no Ultimate só por causa do dinheiro e fosse contra a minha crença, eu estaria me prostituindo. Não acredito mais no negócio do jeito que é. Hoje quem ganha o Ultimate nem sempre é o melhor lutador. Ele pode cair numa chave de braço e ser salvo pelo gongo. Depois, foge em pé, dá um soco, um pontapé e ganha por pontos.
Quem é hoje o melhor lutador de MMA do mundo?
O melhor lutador é o que está usando as regras da melhor maneira possível. Então, o Anderson Silva estava fazendo um negócio bem-feito. Esses caras que estão ganhando estão merecendo ganhar. Aprendem o jiu-jítsu, o karatê, o taekwondo, o muay thai, o que for. E usam a regra, usam o tempo, estão em ótimas condições físicas. Enfim, fazem um negócio bem-feito.

http://oglobo.globo.com/esportes/rorion-gracie-eu-nao-assisto-mais-ao-ultimate-fighting-5882112

image description O QUE É A DIETA GRACIE ?

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A "Dieta Gracie" é um sistema alimentar desenvolvido durante 65 anos de pesquisa e experimentação pelo Grande Mestre Carlos Gracie. Baseada no bom senso e na combinação adequada dos alimentos, ela é o segredo do sucesso da maior família de atletas do mundo.

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